quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Prefeito comunista: Chico Brasileiro




O dia 17 de dezembro de dois mil e nove entra para a história de Foz do Iguaçu com a posse do primeiro prefeito comunista desta cidade, o camarada Chico Brasileiro. Mesmo que por pouco tempo é de grande importância simbólica para o Partido Comunista do Brasil e sua atuação na Terra das Cataratas.

O querido camarada Chico participa desde seus 16 anos de movimentos políticos. Inicia sua militância nos anos finais da Ditadura Militar, sentindo o "friozinho na barriga" quando da realização de reuniões secretas. Participou da criação da UJS (União da Juventude Socialista) em 1984, foi um dos fundadores do PCdoB em Foz do Iguaçu, onde exerceu por duas vezes o cargo de vereador.

É bem verdade que assume a prefeitura ao final de um ano difícil. A crise econômica, apesar de não ter sido tão dura quanto algumas previsões catastróficas afirmavam, chegou ao Brasil obrigando o governo a tomar uma série de medidas que afetaram muitas prefeituras, como a nossa.

Mas também é verdade que assume a prefeitura ao final de um ano em que várias novas empresas se instalaram na cidade, comprovando ser uma cidade em pleno desenvolvimento. E o que é mais importante, não apenas um desenvolvimento através de um ciclo de crescimento como tantos outros que passaram, mas sim um desenvolvimento sustentável, galgado em base sólida com a educação. Assume, um dia depois ser aprovado pelo Senado Federal o projeto que prevê a criação da Unila.

Parabéns camarada, prefeito Chico Brasileiro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Consciência Negra

Há mais de trezentos anos, no dia 20 de novembro de 1695, era capturado e morto Zumbi dos Palmares. Lutador incansável pelo fim da opressão dos negros em nosso país. Trezentos também foram os anos de tráfico de negros capturados na África. Os homens que aqui conseguiam chegar vivos, eram tratados como bestas de carga e as mulheres como fêmeas animais. Passavam pelos mais horríveis sacrifícios e eram obrigados a trabalhar cerca de dezoito horas por dia.

Por tudo isso nutriam uma esperança de fuga, por mais difícil que fosse. Uma morte prematura era melhor que a vida do escravo trazido de tão longe para cair no inferno da existência mais penosa. Ao passo que eram covardemente explorados, iam perdendo radicalmente sua cultura africana, retendo no seu íntimo saberes, gostos culinários, músicas e ritmos.

Muita luta se passou para que a escravidão fosse “abolida”. Mas ainda não efetivamos o processo completo de abolição. Mantemos uma das mais acentuadas desigualdades sociais do mundo e a população negra está na margem da riqueza produzida no Brasil. Existe ainda uma política deliberada de extermínio das populações negras e pobres como manifestação mais cruel do racismo, intensificado no capitalismo.

O racismo brasileiro tem singularidades próprias, decorrentes da formação histórica do país e do seu povo. Após a escravidão os “grandes intelectuais” desenvolveram vários estudos que indicavam o branqueamento da população. Estavam enganados. Os negros continuaram a formar a identidade cultural do povo brasileiro.

A democracia racial só é praticável conjuntamente com a democracia social. A construção de uma nação forte e soberana, através de um novo projeto de desenvolvimento nacional passa necessariamente pela correção das injustiças históricas a que foi submetida a população negra.

Como herdeiros de Zumbi, acreditamos e lutamos por um mundo onde não haja exploradores e explorados, nem senhores e nem escravos. E isto se faz com rebeldia.

Rebele-se contra o racismo.

“A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista. Ela é que incandesce, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, seviciar e machucar os pobres que lhes caem às mãos. Ela, porém, provocando crescente indignação nos dará forças, amanhã, para conter os possessos e criar aqui uma sociedade solidária”. (Darcy Ribeiro)


- Entre os 10% das pessoas com maior renda no Brasil, 90% são brancas. Já entre os 10% com menor renda, 70% são negros.

- As manifestações culturais e religiosas são alvos de ataques preconceituosos.

- Negros tem renda em média 20% menor que o valor de mercado.

- O trabalho infantil atinge 62% dos negros.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O caixa do banco privado

Hoje fui ao banco. Esperei mais que o permitido na lei para ser atendido. Como bom cidadão pedi para que o atendente registrasse no verso da minha senha o horário de meu atendimento.
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- Mas para que senhor?
- Só pra constar mesmo.
- O senhor sabia que é descontado de nossas gratificações sempre que o banco é multado em relação ao atendimento?
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Não, não sabia e fiquei perplexo em saber. Justamente, culpei o capitalismo selvagem, que sempre dá um jeitinho de repartir o prejuízo. O lucro, jamais.
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O pobre caixa iludido, defensor assíduo dos bancos privados, argumenta que isso jamais ocorre no setor público, onde enfrentamos filas enormes e nem por isso temos o direito de reclamar.
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Mas devemos tomar cuidado e analisar criteriosamente essas afirmações. Em primeiro lugar, empresa privada, lucro privado. Empresa pública, lucro do povo (assim ao menos deve ser). Segundo, é claro que temos o direito e a obrigação de reclamar dos serviços prestados pelo estado, quando ineficazes.
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Não sei como deu tempo, mas até da China falamos. Ele entende a China como um país que se afasta do socialismo e se torna cada vez mais capitalista. Esse assunto renderia um post inteiro na verdade. Mas, resumidamente, a China é um país socialista que tem pleno controle de sua economia e que pela etapa atual de seu processo de transição necessita participar do sistema econômico mundial.
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Vou pensar melhor sobre ir ao PROCON.

domingo, 18 de outubro de 2009

Contraste






Hoje, ao sair de meu apartamento e caminhar em direção a garagem, várias crianças felizes brincavam em meu prédio, embora caísse uma chuva fina. Havia uma programação especial para elas promovida pela administração do condomínio, com direito a cama elástica, piscina com bolinhas e até rapel solidário (era necessária a doação de 1 Kg de alimento imperecível). Os pais corujas faziam questão de acompanhar as brincadeiras dos pequenos. Foi até distribuído picolé.

Engrossa a chuva. Pego o carro, reflito sobre o quanto aquelas crianças e seus pais estão felizes. Passo, em direção à saída do condomínio, mais uma vez por ali.

Não sei descrever ao certo o que senti quando parei no primeiro semáforo e vi uma pequena garota, de aproximadamente 9 anos, vendendo balas na chuva. Talvez um misto de dó e raiva. Muita raiva.

Dó de todas as pessoas que passam necessidades por todo o mundo e todos os dias. Muitas apenas sobrevivem por toda uma vida, com os restos de outros ou a outros servindo. Raiva desse sistema ultrapassado e de seus fiéis mantenedores. Os homens vivem ainda em condições animais, não aprenderam a viver em condições verdadeiramente humanas.

"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros." (Che Guevara)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Quanta coisa!

No último final de semana participei da Conferência Estadual do PCdoB, em Curitiba. Importante momento para os comunistas do Paraná discutirem as teses ao Décimo Segundo Congresso do PC, além de elegerem a nova diretoria.
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De lá, direto para Londrina. Uma carona com o camarada Cezar Bueno, sociólogo e professor que muito bem me hospedou em sua casa no primeiro dia. Definitivamente gosto daquela cidade. Agradável. No mais, além de um trabalho gratificante, verdadeiros amigos. Vou no dia seguinte para a casa de um desses, em frente a UEL, onde não gasto passagem de "busão" e posso acordar mais tarde.
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Pela UEL as coisas bem parecidas de quando estava por lá, meses atrás. A tal comissão provisória, com mandato maior que o dos definitivos, continua enrolando sobre a eleição do DCE.
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Falando em UEL, dia desses quando passava por lá estava chovendo e resolvi entrar em uma palestra. Era a Semana Acadêmica de Geografia. Dizia o professor de nome Luiz Carlos, se não me engano, que esse negócio de aquecimento global é uma balela. Na verdade o mundo está é diminuindo a temperatura, o que na visão dele, é muito pior.
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Na volta, conheço um casal que não sei se realmente era casal no sentido de namorados ou similares mas sim no sentido de macho e fêmea. Uma chilena e um peruano socialista. Ela a um ano fora de casa. Ele a cinco. Passou ele por vários paises dessa nossa américa latina. Assim como o Che, viu muita miséria e riqueza. Desigualdade. Colômbia está um caos, guerra civil, governo capacho dos EUA. Na Bolívia, é a primeira vez que um índio chega ao poder central. O detalhe é que mais de 80% da população de lá é de origem indígena. No Chile tudo está privatizado, a Michele até tenta, mas está de mãos atadas. Na Venezuela, o comandante Hugo Chávez avança a passos largos e com apoio popular no rumo do socialismo. Grandes mobilizções de apoio e repudio ao presidente, além de alguns conflitos.
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O ônibus inteiro dormindo e agente divagando sobre o nosso povo.
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Salve Ernesto Guevara!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Caminho

Sai. Volta ver se tinha trancado a porta. Um caminho. Uma balada. O vizinho feliz por não ter cirurgia no dia seguinte. A amiga dentista não tinha a mesma sorte. Mas não parecia se importar muito. A balada estava no caminho. O mesmo caminho. Um velho amigo, apenas esperando. Os guris fumando. As formigas trabalhando. Os guardas conversando. Chega.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Peixes

Meus animais de estimação sempre foram os peixinhos. Tinha três e agora tenho dois. Um sempre come a comida do outro.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

25 anos em defesa do Brasil, da juventude e do socialismo!


Hoje venho neste espaço fazer um convite especial. Se trata do aniversário de 25 anos da União da Juventude Socialista. Organização revolucionária dos jovens brasileiros. Luta pelos direitos da juventude e do povo trabalhador. Por um país soberano e socialista.
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A UJS é uma organização que entende o papel transformador que o jovem tem e entende que para isso ele deve se organizar. Busca ser espaço para as ações e projetos da juventude.
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Parabéns União da Juventude Socialista!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Camarada Protógenes!




"É. Em algum cantinho alguma força arcana, divina, falou: "Olha, aparece agora" (risos). Então, apareci. E vi que o Partido Comunista do Brasil avançou e cresceu muito. Acredito que nesse processo político é o partido mais vitorioso, um partido que tem o passado que tem, sofreu as perseguições que sofreu, superou erros e tem uma política própria para o Brasil, um país em desenvolvimento, rico, multiétnico, religioso, decente. Esse partido consegue se superar, retirar todas as pedras e os espinhos do caminho e se colocar no cenário nacional aliado a uma proposta de um Brasil diferente.

Neste cenário, o PCdoB é a sigla vitoriosa, dentre todas as existentes e isso acontece devido à responsabilidade dos quadros que têm a mesma origem que eu, que nunca se desviaram daquilo que aprenderam no passado e que têm compromisso com o futuro, com a construção de um Brasil que nós acreditamos: mais justo e mais digno. Isso sem muito alarde político. É um partido cujo plano político nacional não está na panfletagem, não está nessa atividade eleitoreira."

"Sucessivos escândalos surgiram e vão surgir para consolidar a impunidade de quem tem dinheiro e poder. Isso desqualificou a Justiça, desqualificou um senador da República. Quando você desqualifica a Justiça, facilita e consolida a impunidade no Brasil porque fica claro que a Justiça só vai punir o pobre, o desempregado, o negro. Os bandidos mais perigosos da nação estão soltos, e cheios de dinheiro, aqui ou fora do Brasil."

Trechos da entrevista do delegado Protógenes ao Portal Vermelho.

Não se deixe enganar

Pelas manipulações de uma mídia manipulada.
Que quer o Serra e não flagra nada.

Pelo senso comum que domina a sociedade.
Transforma tudo em necessidade.

Pela propaganda do noticiário.
Ou o programa reacionário.

Flagre a fundo os reais interesses em tudo que vê, lê, escuta ou escreve. Classe em si e classe para si. Necessidade real é a abolição da exploração do trabalho alheio de uma maioria em benefício de uma minoria. Necessidade de Igualdade. Humanidade. Uma Nova Sociedade. Realidade.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Água

No final do ano passado, depois de um show do Raizen e de uma música de mesmo nome do título, publiquei um post chamado "Como água nas formigas".

Essa semana participei de um seminário promovido pelo Núcleo Paraná do Projeto "Pensar o Brasil. Construir o futuro da Nação" do Confea (Conselho Federal de Engenharia, Agronomia e Arquitetura) que tratava do tema "Gestão Social das Águas".

Tratar da questão das políticas que envolvem o acesso a esse componente essencial da vida humana é fundamental. O Brasil aprovou em 2006 seu Sistema Nacional de Recursos Hidricos. Construído por um processo descentralizado e participativo com uma base técnica consistente para subsidiar as discussões.

Fiquei satisfeito com o nível das discussões e animado que os colegas de profissão estejam realmente preocupados com o futuro de nosso país ajudando a elaborar soluções criativas além de discutir os rumos no sentido de desenvolver a nação.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Meu primeiro selo!




Ganhei um selo do grande camarada e dono de um dos blogs que mais respeito e admiro (Cozinha do NoSense). Trata-se de uma rede de blogs por indicação, ou seja, para fazer parte, é necessário que a pessoa seja indicada por alguém. Mas a coisa é simples. Pega o selo, diz de onde recebeu a indicação, dispara mais dez selinhos por aí. Deve-se colocar também cinco coisas que gosta de fazer. Seguem minhas indicações (a ordem dos fatores não altera o produto hein):

1. Lexotan - da minha amiga Luciana Marschall.
2. Mente Estranha - da camarada Mariana Serafini (vulga Rostinho).
3. Vaca Latica - da Hellen Samantta.
4. Positivo Vibration - do Serginho Santander.
5. UJS Cataratas - União da Juventude Socialista de Foz do Iguaçu.
6. Meu Refrigerador Não Funciona - da Franciele Cruz.
7. Igor Borck - esse cretino escreve bem, mas tem que atualizar mais!

Não foram 10, mas não enchi linguiça!

5 Coisas que gosto:
Ler, Trakinas, Coca, Curtir na fronteira e o PC né mew!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Capa de Jornal

Hoje acordei, coloquei um bom e velho Guns e o Corcs apareceu com um jornal na mão. Tratava-se da Gazeta do Povo. Na capa, grandes camaradas que estão na resistência do terreno da UPES. Marião, Vaca, Leo, Clabonde e um argentino. Parabenizo os bravos secundaristas que estão defendendo seu espaço com unhas e dentes.

E aqui pela fronteira também aparecemos no jornal. Foi em matéria do Jornal do Iguaçu sobre a Audiência Pública que discutiu o Transporte Coletivo. Mais uma vez na capa, com os camaradas Santiago, Fernando, Corcs e o Adriano abaixado. Na matéria, em destaque no interior do jornal, nossos posicionamentos ficaram claros em relação à maneira na qual achamos correto o pagamento das empresas: por quilômetro-rodado ao invés de passageiros. Ficou ainda evidente o descontentamento dos estudantes, representados pelo Diretor da UPE Serginho Santander, que apontou a burocratização do acesso ao meio-passe e a demora dos ônibus como um dos principais problemas.

Força aos estudantes e a toda a luta emancipadora da juventude e dos trabalhadores!

Para mais detalhes sobre as notícias: http://www.ujsfoz.blogspot.com/ e http://www.acampamentodaupes.blogspot.com/

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Transporte Coletivo: Problemas e Soluções

Quando precisávamos bater, batemos. Alguns acharam que até forte demais. Audiência Pública, resolução do nosso congresso e o zine Boto Fé!. Até em debate de candidatos a prefeito fomos citados. Ganhamos certa respeitabilidade perante a sociedade quando se trata de Transporte Coletivo. Tanto que fomos convidados a participar de uma comissão para a melhoria da qualidade dele em nossa cidade. É essa a comissão que irá propor o edital de licitação para a concessão às empresas que explorarão esse segmento, essencial para a grande maioria da população. Entendendo o problema e a responsabilidade de representar a juventude nesta importante discussão, é que nos esforçamos ao máximo para estudar o tema com a profundidade que ele merece. Jamais perdemos nossa essência de juventude contestadora dessa sociedade de exploração já desgastada em que vivemos. Somos sim contestadores da opressão que assistimos todos os dias. Mas somos, acima de tudo, protagonistas das mudanças. E é para isso que te chamamos. Iniciamos as discussões e todos são importantes para otimizar esse humilde texto que segue, base das discussões da União da Juventude Socialista de Foz do Iguaçu.
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Já bem conhecido na galeria dos principais problemas de nossa cidade está o Transporte Coletivo. Ir ao trabalho, escola, faculdade, estágio, grupo de estudo, biblioteca ou visitar algum amigo. Para muita gente isso só é possível através desse indispensável serviço. Mas em Foz do Iguaçu o que encontramos é um dos piores e mais caros serviços de transporte urbano do Paraná, desrespeitando e envergonhando nossa população além de prejudicar o desenvolvimento do turismo na cidade.


Burocratização do acesso ao meio-passe e a sua utilização, ônibus lotados, desrespeito com os portadores de necessidades especiais e haja paciência para aguentar a demora do "busão". O senhor e a senhora que vão ao serviço. Os estudantes que vão para aula. E aqueles que moram em bairros afastados do centro e necessitam fazer verdadeiras viagens? Todos sofrem diariamente com a baixa qualidade desse serviço prestado não por boa vontade, mas concessão pública.


Algumas cidades possuem transporte público operado por empresa pública. Não é o nosso caso. Em Foz, empresas privadas através de concessão pública operam o transporte de passageiros. Nestes casos, necessitamos através de fiscalização tanto do poder público bem como da sociedade garantir que os interesses da grande maioria da população estejam acima de interesses individuais.


Entendemos que na sociedade em que vivemos, capitalista, tudo é mercadoria. E não poderia deixar de ser também o transporte. Dele deve se extrair lucro. O máximo possível. E este sempre acompanhado da exploração do trabalhador e do povo pobre. O mais avançado a que chegaríamos seria a completa estatização do sistema, garantindo o retorno de todo esse lucro à sociedade.


Estatizar todo o sistema infelizmente não é paupável para nossa realidade atual. É uma boa para daqui algum tempo, precisamos criar as condições. Mas então, por onde podemos começar? Atualmente as empresas ganham por passageiros. Ou seja, quanto mais encher o busão maior o lucro. E o que acontece? Ônibus lotados, aumento no tempo de espera e de viagem.


E se pagássemos as empresas por quilômetro-rodado? É, isso mesmo. Não é nenhuma loucura. Afinal, já acontece em cidades como São Paulo e Curitiba. Neste modelo a empresa responsável passa todo o dinheiro arrecadado para o poder público que irá gerir o recurso como lhe couber e passar à empresa os valores, estabelecidos em contrato, da distância percorrida pelos veículos. As empresas não se vêem obrigadas a encherem seus ônibus para obter mais lucro. As rotas são estabelecidas conforme interesse social (e não comercial) e coloca-se um ponto final nas discussões sobre o preço da passagem e sobre as concessões que as empresas devem fazer aos estudantes, idosos, portadores de necessidades especiais e outros usuários que recebem benefícios na forma de transporte. Além disso, as empresas podem estabelecer um melhor equilíbrio financeiro, uma vez que os valores recebidos podem ser pré dimensionados, independente do período do ano e do andamento da economia, não havendo, assim, flutuação na arrecadação dos prestadores de serviços.
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E esse negócio de catraca eletrônica, é bom ou ruim?
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Bom, pois além de permitir um maior controle do número real de passageiros pelo Foztrans podendo ainda ser publicado diretamente online, possibilita sistemas de integração como em Londrina por exemplo, em que ao descer de alguns ônibus as pessoas tem um tempo determinado para pegarem outro ônibus sem pagar novamente a passagem.
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Mas as catracas não geram desemprego?
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Claro que não. Afinal o trabalho dos cobradores continuam essenciais para prestar um bom atendimento aos turistas e ao povo que não é obrigado a comprar o cartão magnético. Não podemos admitir que a implantação das catracas cause uma desculpinha para demitir funcionários prejudicando a qualidade do transporte.
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E o que mais podemos fazer?
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Criação de pontos nodais - Pontos em que várias linhas poderiam ser compartihadas como terminais regionais.
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Expansão da acessibilidade - Garantir a devida adequação do transporte coletivo para o bom atendimento dos portadores de necessidades especiais.
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Licitação por linhas e não por lotes - Dessa forma possibilitariamos que pequenas empresas participassem de licitações para o transporte coletivo.
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Adequação dos carros as condições da cidade - Carros confortáveis e novos garantindo a qualidade de todo o sistema.
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Reserva de quilometragem - Destinar determinada quantidade de quilômetros para eventos de caráter social promovidos pela prefeitura ou por organizações da sociedade civil.
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Fim do aproveitamento de linhas - Tornaria mais ágil e eficiente tendo em vista que os ônibus somente poderiam pegar passageiros nos pontos pré-estabelecidos.
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Controle da conta pelo Foztrans - O órgão deve ter todo o controle financeiro e ser encarregado de administrar todo o sistema de transporte, fiscalizando as empresas.
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Banheiro gratuito no terminal - espaço público, banheiro público. É um absurdo não termos um banheiro para utilizar sem pagar no nosso terminal de transporte urbano.

domingo, 9 de agosto de 2009

ATENÇÃO

Para prevenção da Gripe Influenza A (H1N1), disponibilizamos pontos com álcool gel para assepsia das mãos.
Nossos colaboradores estão orientados a higienizar as mãos a cada 20 minutos.
Em caso de dúvidas estamos a sua disposição.



Era o que estava escrito em um folder na mesa do restaurante em que almocei com minha familia nesse Dia dos Pais. E a população está em pânico. E o tal laboratório norte-americano ganhando cada vez mais.

sábado, 8 de agosto de 2009

Para onde vai?

Aquele mesmo rapaz que comeu o resto do macarrão da panificadora aqui da esquina que meu amigo não quis e que naquele dia vestia uma calça preta e não tinha mais camiseta e nem chinelo agora vestia sacolas plásticas.

Definitivamente não se importava com o que os outros pensavam dele. Não ousava pensar algo de si. Passei novamente na mesma sinaleira na qual havia o encontrado naquele dia. Havia ganhado roupas. Um short, uma camiseta e até um chinelo. A roupa estava limpa.

Mais tarde, paro novamente no mesmo lugar e ele vem na minha janela me pedir uma moeda. Ele estava com uma lata na mão. Suas roupas já estavam imundas. Perguntei a ele o que faria com aquela lata. Me respondeu que estava juntando para recilclar. Mas não havia nenhuma sacola com outras latas próxima a ele. Não havia.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Fechamento dos botecos e segurança pública

O próprio movimento é feito de contradições. A vida é movimento. A política faz parte da vida. Não só dos que gostam dela.

Andam pela nossa casa de leis municipal discutindo o funcionamento dos bares, lojas de conveniência e similares. Discutem se o fechamento desses locais após determinado horário ajudaria a diminuir os índices de violência registrados no município.

A abordagem mais precisa é levar em conta as várias variáveis que compõem esses índices e que cooperam para sua concepção. Daí necessariamente devemos discutir a questão da segurança públca compreendendo a raiz dos problemas. Claro que derivada de um problema econômico facilmente identificável. E esse facilmente identificável não é a uma elite intelectual mas para o povo. Não queremos contar ladaia ao povo, apenas alertar para o que ocorre.

Infelizmente falamos da cidade onde mais morrem jovens proporcionalmente em nosso país. Falamos da tríplice fronteira, rota do tráfico internacional. Da cidade da Itaipu que em sua construção atraiu muitos trabalhadores que ajudaram a construir esta maravilha da engenharia moderna. Alguns trabalhadores conseguiram certas conquistas, mas a grande maioria foi posta de escanteio amargando na fila dos desempregados e aumentaram de forma considerável as favelas, que haviam iniciado após a vinda de trabalhadores para a construção da "Ponte Internacional da Amizade".

Aos filhos destes barrageiros e a grande parte de nossa juventude restou a exclusão. Amargando o melhor de sua criatividade e energia na fila dos desempregados. Impregnados pelo individualismo são aproveitados de forma meramente mercantil. Sem espaços públicos para a prática esportiva, sem acesso à mobilidade urbana e enfrentando graves problemas de moradia.
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A violência nos persegue o tempo todo. Muitos dos nossos nos ferem ou se matam em disputa entre gangues, ou são espancados pelos próprios pais. Outros recebem uma bala perdida ou são vítimas de assalto ou perseguição. No capitalismo não temos paz.

Não apenas em Foz, mas também, a insegurança toma conta dos grandes centros. Esse meio não nos interessa, não nos satisfaz, queremos uma cidade capaz de incluir a todos sem discriminação de crença, cor, gênero e classe social.

Nenhuma ação isolada resolverá este complexo problema que é a segurança urbana. Portanto se faz necessária uma ampla discussão sobre o tema dado que a simples proibição de venda de bebidas alcoólicas soaria como mais uma medida de exclusão. Fechariamos os pequenos botequinhos enquanto os grandes e frequentados pela elite continuariam abertos.

É muito bom encontrar os velhos amigos.



Nota da UJS-Foz acerca do fechamento dos bares, lojas de conveniência e similares após a meia-noite, nos locais fora do corredor turístico.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Dossiê UPE

DOSSIÊ

a

Não sou ladrão

Nem violento

Violo imaginações

Do sofrimento

a

Matei a fome

Em uma pena de vinte e três anos

Meta do homem

Conforme o plano

a

Perambulo na sombra da periferia

Trafico idéias projetadas

Não é nota fria

a

Fraudo estelionato

Quando vândalo quebrei a cabeça

Réu cacei palavras

a

Ao invés de comer aquele maravilhoso macarrão da panificadora aqui da esquina, comprei um livro. E são com essas palavras que meu amigo Edson de Carvalho o inicia. Este é seu recém-lançado e primeiro trabalho “Líricas e Satíricas do Iguaçu”.

Conheci o Mano Edo (Edson) quando o Oxi (de Porto Alegre) veio ajudar na construção de um núcleo da Nação Hip Hop Brasil ano passado aqui pela fronteira. De lá pra cá tenho acompanhado um pouco da trajetória deste poeta marginal. O Mano Edo também é Bboy e dá aulas de break na crew chamada Cartel do Break. Desejo muita sorte a este guerreiro.

Por estes dias ocorreram dois grandes eventos: o quadragésimo segundo Congresso da UPE e a Conferência Inter-Municipal de Educação, ambos na Terra das Cataratas. Momentos importantes de discussão dos rumos do país, intimamente ligado ao seu sistema educacional.

Os dois últimos meses, de intensa campanha para a construção deste congresso chegam ao fim com um saldo bastante positivo na construção de um movimento estudantil unitário e preparado para talvez a maior batalha que nossa geração enfrentará.

Grandes foram as discussões e proposições, onde muitos estudantes de todos os cantos do Paraná deram suas contribuições. Desde a meia-entrada nos pontos turísticos ao encontro das Atléticas, passando pela cultura, meio-ambiente e drogas. Discutiram-se as pagas, as públicas e o próprio movimento estudantil.

A UPE chega aos seus 70 anos de luta, esbanjando garra e determinação para colocar a educação a serviço das grandes causas sociais. Chega honrando seu passado glorioso, defendendo o pré-sal, relembrando os tempos em que foi precursora no Paraná na luta do Petróleo É Nosso! Chega pronta a não deixar meterem a mão nas riquezas do povo, como na defesa da Copel. E chega também entendendo que juventude é essa a de hoje e em que contexto se insere.

Sobre a Conferência, falamos outro dia.



Em 27 de junho de 2009.

Um pouco de muito do mesmo

Há vários dias sem internet. Também sem escrever. O último texto havia feito na casa das gurias lá em Londrina, usando o computador da Claudinha emprestado. Muitas coisas se passaram de lá para cá. Congresso da UPE, Conferência Municipal de Educação, Golpe em Honduras, Nova Gripe e a morte do Michael Jackson, que ainda não foi enterrado. Falando nisso, fãs brasileiros que ganharam ingressos para participar do "velório" ou "show" (na verdade não sei como chamar) não poderão participar do funeral. Não tem grana para a viagem. Me chamou a atenção uma chamada no site da Globo que mostrava quem podia ganhar com essa morte, com infográfico e tudo o mais. Vai o link no final.

A pandemia que teve início nos Estados Unidos e México chega com força à América Latina. A argentina já está no terceiro lugar no ranking com 60 mortos pela doença. Aqui pela fronteira é bom que estejamos espertos. Quem sabe até usar aquela máscarazinha. Três já foram os casos aqui em Foz confirmados. Pouco se comparar aos 1870 de Buenos Aires, que registrou 48 mortes.

O Golpe, meio parecido com aquele que tentaram dar no Chávez em 2002, ainda se mantém e não querem permitir o retorno do presidente Zelaya. Duas pessoas já morreram e o governo interino continua mantendo uma postura desafiadora. Tudo isso porque ele queria convocar um plebiscito para a população decidir sobre a convocação de uma assembléia constituinte. A ação foi condenada pela comunidade internacional, inclusive pelos Estados Unidos.

No Congresso da UPE tive a oportunidade de falar sobre a importância das Conferências nesse momento de aperfeiçoamento da democracia em nosso país. Claro que ainda a democracia da burguesia, afinal estamos no capitalismo. É natural que passemos por este momento de aprofundamento destas formas de representação dos anseios mais imediatos da população. As Conferências vem a cumprir o importante papel de dialogarem com a sociedade sobre as questões a elas importantes. A de Educação cumpriu este papel. Foram aprovados importantes encaminhamentos para as etapas seguintes.

E sobre o Congresso, vou aproveitar um texto que está aqui guardardo que ainda não tive a oportunidade de publicar. E nem mais o faria. Mas vai logo a seguir.

Veja quem pode lucrar com a morte de Michael Jackson

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Desta vez o problema não foi acordar, mas ter ido mais cedo para casa. Mais cedo assim, nem tanto. Na verdade estava quebrado após a noite em claro participando da mesa de credenciamento ao 42º Congresso da União Paranaense dos Estudantes. Pois é, vim parar em Londrina, após uma rápida passada por Maringá, muito bem hospedado na casa do Paulo, precedida por uma maravilhosa janta na casa da família do Leonardo em Guarapuava.
Fiz o mais rápido possível as últimas agendas do dia para assistir a maior parte do jogo do Inter. Chego e sou recebido com o gol do Corinthians. Menssagem do Sérginho me informando o placar do jogo. Ao menos, a conversa na casa do Marcel estava muito interessante. Falávamos um pouco de tudo. Do cotidiano de um dekassegui no japão às compras no Paraguai. Segundo gol do Corinthians. Ligação do Thiago Kodama, corinthiano vagabundo. O papo avança, não entendemos como que as pessoas não percebem que está tudo errado, sendo tão claro tudo por ae. Basta ver. Ou querer. Talvez não.
O jogo acaba, é a segunda derrota do Inter que assisto desde que recomecei a torcer. A primeira que fico triste. Na última fiquei feliz pois mesmo perdendo o Inter passou para a final. O Tropeço traz o notebook e ficamos dando umas passeadas com o google earth. Não sabia que dava até para dar passeio de avião. E nem que tinha umas bolhas que a visão é total, como se estivesse no local. Começamos a viagem pelo bosque do restaurante universitário da UEL. O tal bosque que esses dias um jornalista sem muito o que fazer fez uma matéria infeliz dizendo que era como na jamaica. Conheci um jamaicano hoje que não gostou muito da comparação. Do bosque para um passeio por Londrina e de lá para o "Espaço das Américas", onde gostaríamos de ter feito o ato político de abertura do 42º CONUPE. Um giro pelo Rio de Janeiro e por umas ilhas desconhecidas, continente da Antártida e a rua onde o Tropeço parou nos dias em que esteve de intercâmbio nos Estados Unidos. Pedi para darmos um giro nas pirâmides do Egito. Surpreendente imaginar como colocaram aquela quantidade toda de pedras umas sobre as outras. Quanta gente deve ter passado talvez por uma vida inteira carregando pedras durante a maior parte de seu tempo. Nem tão seu assim na verdade, mas de um senhor.
De repente, a terra era pequena demais para nós e resolvemos dar um giro pelo espaço. Cara, cada vez me surpreendo mais com esse google. Uma passadinha rápida pela Lua (quem será que chegou por lá primeiro?) e aterrisamos em Marte. Bonito. Parece um grande deserto. Esses dias fui na inauguração do Pólo Astronômico que não me recordo o nome do muito homenageado brigadeiro Montenegro. Ficou muito bonito, bem instalado no Parque Tecnológico de Itaipu. Vi o anel de Saturno num telescópio e aproveitamos o planetário também.
Agora pouco fui pegar aquele copo de coca-cola para escrever este parágrafo final do texto. Dei uma passadinha na cozinha, onde rola aquele papo cabeça e dei uma problematizada a respeito das necessidades fisiológicas do homem que são diferentes das da mulher porcausa de todo o processo histórico a que foi submetido ao longo do passar dos anos. Não sei se me convenci de um conceito errado passado pelo Alan e pela Barbara Pease naquele livro do Porque os homens fazem sexo e as mulheres amor?. O livro passa a idéia de que os homens possuem necessidades específicas, assim como as mulheres. Por exemplo, o fato das mulheres conseguirem fazer várias coisas ao mesmo tempo enquanto os homens não. E o fato dos homens terem a necessidade de perpetuar a espécie com o maior número de progenitoras para garantir a sobrevivência da espécie. Inspirado em conceitos darwinianos. Dialética ou machismo?
Quase chegando. Semana que vem vou assistir ao jogo do Inter em casa. Já terá passado o Congressito da UPE.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Classe média subversiva

Quem manda não ter acordado e ter faltado à reunião de sábado no Casarão da UPE? Pois é, vim parar em Francisco Belrão. Claro que com um incentivo extra do cretino do Serginho, que essas horas já deve ter chegado por Foz.
Escrevo direto da biblioteca da UNIOESTE enquanto aguardo o Vanderson chegar. Cheguei pela manhã, dei uma volta no centro e dormi a tarde inteira, depois de ficar com sono na biblioteca municipal. Dei uma foleada naquele livro chamado "Veias Abertas da América Latina", se não me engano do Eduardo Galeano. Ainda quero lê-lo. Apalpei um livro publicado pela editora do Exército e comecei a ler. É da época da ditadura, pelo ano de 76. O nome era "Guerrilheiros e Terroristas". O engraçado é que não constava nenhuma menção à Guerrilha do Araguaia. Se questionavam os militares: Como pode um bom filho da classe média virar um subversivo? E tentavam responder com as piores banalidades possíveis. É que quando se cansarem desta luta sem sentido, serão bem recebidos por uma família bem estruturada e pelo conforto do lar. Demonstravam com números que a imensa maioria da população e da própria juventude não queria se envolver em conflitos e apenas gostaria de manter preservada a sua família. É bem verdade que os filhos da classe média tem mais acesso à informação que os de classe baixa. A velha história da pílula vermelha e a azul. A vermelha é o conhecimento. A azul a da alienação. O Vanderson já deve estar chegando.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O que é a UPE e a UNE?

Aqui pelo frio de Curitiba ando bem. Ajudando a construir o congresso da UPE e comendo as delícias que o Dr. Marcelo Sucupira, amigo e gastrônomo nos proporciona praticamente todos os dias. Ontem foi uma pizza maravilhosa.

Acabo de escrever um pequeno textinho a respeito de nossas entidades de representação estudantil e como o assunto é interessante, publico abaixo:

O que é a UPE e a UNE?

A UNE foi criada em 1937, no bojo das lutas pela entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial para combater o nazismo. Vem construindo as lutas da juventude e do povo brasileiro ao longo de sua história. História esta que se confunde com a de nosso país. A UPE, criada em 1939, é a mais antiga entidade estadual de representação dos estudantes no Brasil. Foi vanguarda na luta “O Petróleo é Nosso” aqui no Paraná. Os estudantes enfrentaram ainda a Ditadura Militar, onde a primeira ação foi queimar a sede da UNE no Rio de Janeiro. O “Casarão dos Estudantes”, sede da UPE, foi tomado naquele período. Sabiam bem os poderosos do poder contestador e transformador da juventude. Depois de muito sangue derramado vem as “Diretas Já!” e a redemocratização do estado brasileiro. Mas, mesmo com o final da ditadura, enfrentamos a era do neoliberalismo que a tudo queria privatizar. Mais uma vez, as entidades estudantis foram muito importantes para não permitirem os retrocessos, como a venda da Copel por aqui. Fomos mais uma vez protagonistas no “Fora Collor”, com as caras pintadas de verde e amarelo ocupamos as ruas e mobilizamos toda a sociedade. Apesar de tudo o que fizemos, ainda temos muito a conquistar e é para isso que te convidamos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Reserva de Vagas

Participei na semana passada de um radio-debate promovido por uma turma de jornalismo da UDC, em que fui convidado pela Gladys Gonzalez a defender a reserva de vagas. Do outro lado, foi convidado o Eng. Mecânico Felipe. Desculpem por não recordar o sobrenome.

A reserva de vagas é uma bandeira histórica dos estudantes brasileiros que sempre lutaram por uma universidade mais próxima de seu povo. A UBES foi a primeira entidade a defender a reserva de 50% das vagas das universidades públicas para estudantes oriundos de escolas públicas.

A Universidade é um espaço que DEVE ser ocupado pela sociedade e isso só é possível facilitando o acesso daqueles que historicamente foram marginalizados e colocados em segundo plano.

Muito se falou em regime de mérito. Leia-se vestibular. Alegava-se a eficiência e que apenas asssim aqueles que "merecessem" seriam recompensados pela dedicação. Afirmação bastante contraditória e tanta disposição em defender um sistema que já provou seu caráter excludente e elitista e que por isso mesmo está com os dias contados.

Parecia que meu debatedor estava convencido da idéia de que com as cotas cairia a qualidade do ensino. Que barbaridade. Reserva de vagas sim, mas a qualidade da educação deve ser sempre melhorada, afinal não faltam experiências de países que investiram em educação e melhoraram todos os índices de desenvolvimento.

Outro ponto da discussão foi a de que a qualidade dos profissionais seria muito baixa se aprovarmos a reserva. Essa foi a mais absurda. Reserva de vagas é para facilitar o acesso. Isso não retira a necessidade do cotista de se empenhar tanto quanto ou mais (dado as suas condiçÕes de estudo e sua formação básica) que seus colegsd não cotistas durante o período em que estiver cursando a universidade. No mais, estudos como o de uma pedagoga da UNB, que me fugiu o nome, evidenciam que os estudantes que entraram pelo sistema de cotas tem demonstrado maior rendimento que os outros.

E por fim a questão das cotas para negros, bastante debatida. Primeiramente devemos entender que o racismo brasileiro tem singularidades próprias, decorrentes da formação histórica do país e do povo, e que negam aqui a existência de uma alegada "democracia racial".

Um dos pontos que fiz questão de destacar foi que após a escravidão os grandes "intelectuais" de nosso país desenvolveram vários estudos que indicavam o branquemaento da população. Fato que provou-se na mais descabida inverdade.

Assim, por mais que digam por vezes que não há racismo no Brasil, o fato é que ele existe. É só pegar os números de negros nas universidades e ocupando cargos de destaque na sociedade, ou ainda os salários sempre menores que os dos brancos por mais que exerçam funções idênticas.

É por isso que as cotas são fundamentais para iniciar a reparar esta opressão histórica significando portanto uma questão muito mais de classe do que étnica.

sábado, 14 de março de 2009

O quadro mundial, seus movimentos e contradições

O capitalismo vive de crises, da exploração do homem pelo homem ou dos países por outros. Não é sustentável. Mais uma vez vem a tona as contradições deste sistema. Os que sempre defenderam a presença mínima do estado na economia agora estatizam para sobreviver. Nada mais justo, sendo o estado burguês uma eficiente ferramenta para a regulação do direito da propriedade privada. Assume o controle, injeta bilhões e quando estiver tudo resolvido, privatiza. Socializam-se os prejuízos, onde quem realmente paga a fatura são os trabalhadores. Os primeiros a sofrerem diminuição de salários ou a serem desempregados e engrossarem as fileiras do exército de reserva, outro pré-requisito do capitalismo.

A taxa média de crescimento global será negativa pela primeira vez, desde 1945. A crise surge no coração do sistema financeiro mundial, constituindo-se um duro golpe ideológico ao neoliberalismo, em que os países menos afetados são justamente os que menos se entregaram a cartilha neoliberal. Os países emergentes que atualmente participam de 31% do PIB mundial podem chegar aos 38% em 2013, segundo projeções do Banco Mundial.

A crise financeira mundial gera protestos generalizados contra o desemprego na Europa, força a aceleração das reformas financeira e política na China e o aprofundamento da integração latino americana.

Os desdobramentos dos efeitos da crise são determinantes para a sucessão presidencial no Brasil que é essencial para manter a chama das mudanças progressistas acesa em todo o continente.

Importante avaliar os que reúnem melhores condições para sair mais rápido e fortalecidos da crise. Assinalam-se mudanças no quadro de forças das relações internacionais após a crise, apontando para a multipolaridade financeira mundial.