sexta-feira, 11 de junho de 2010

A construção é pela Cultura

Deveria escrever sobre o início da Copa do Mundo, seguindo as tendências de todos os comunicadores do momento, mas o fato é que...

Acabo de chegar da Fartal. Mais exatamente do show do Pedra Letícia. A Fartal é a feira em comemoração ao aniversário da cidade de Foz do Iguaçu, que completou 96 anos no último dia 10. O show já tinha boas credenciais pois tocaram na Calourada do Amor, organizada pela "Chapa Quente, o Bonde do Amor", do DCE da UEM.

Não sei se já disse por aqui mas adoro rock n`roll e os caras mandaram bem. Além de grandes músicos, são animados e tem uma excelente interação com o público. E é ae que gostaria de chegar.

Tanta interação com o público e animação porém grande parte do público estava do lado de fora. O preço para assistir ao show pelo que ouvi era de dez reais ou vinte o camarote. Mas a discussão central não é o valor das entradas. O que precisa ser discutida em suas peculiaridades e em maior profundidade é a nossa política municipal de cultura.

A discussão desse tema passa necessariamente pela consolidação de ferramentas como o Sistema Municipal de Cultura e a concepção de qual será a visão de cultura na qual queremos construir. Para ser mais específico, a quem a cultura realmente favorece.

Como não é novidade, o pano de fundo é sempre o mesmo e não poderia deixar de ser em se tratando de cultura. Pode ser empregada para refletir as características de um povo ou para satisfazer interesses econômicos. Em se tratando de capitalismo não é novidade que seja mais fácil privilegiar tais interesses.

Queria uma feira diferente. Não vou aqui descrever uma feira ideal, até porque para que me contente bastante, seria necessária uma feira em outro tipo de sociedade. Uma feira em que as crianças brincassem em quantos brinquedos quisessem e comessem o que gostassem, desde que fizesse bem. Não vou entrar em detalhamentos maiores, quanto mais me aprofundar talvez mais utópico esteja sendo.

Mas tendo em vista as condições objetivas atuais, acredito que pudéssemos fazer da festa do aniversário de nossa cidade, no mínimo, uma festa realmente popular. Uma comemoração do povo iguaçuense, que com as mãos muitas vezes calejadas constrõem essa maravilhosa cidade. Novamente, em se tratando de capitalismo, não é novidade que uma classe seja privilegiada enquanto a outra rala.

Ir na contracorrente é que seria novo. Empregar a cultura como forma de expressão e identificação dos povos, servindo para entendermos mais e melhor as realidades e auxiliar no processo de evolução do pensamento humano. É aí que entram ferramentas importantes como o Sistema Municipal de Cultura, que cria um cadastro municipal dos "fazedores" de cultura, um conselho municipal de políticas culturais e um fundo municipal de cultura.

Assim estaremos criando os primeiros passos para o entendimento da cultura não apenas como um simples negócio ou como circo, mas como ferramenta essencial para a construção de valores essenciais para formarmos um "novo homem", sem vícios, preconceitos, vaidades ou ganância e acima de tudo, com muito amor pela humanidade e pela vida.