terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Que momento!







Na verdade pretendia que o último texto do ano fosse mais alegre. Estava pensando em escrever sobre a América Latina, mais viva do que nunca. Até porque estou devendo há algum tempo esta resposta a uma grande amiga que me indagou sobre essa questão. Mas a urgência é maior em escrever sobre o verdadeiro genocídio que Israel trava contra o povo palestino na Faixa de Gaza.

Como ontem minha tarefa foi elaborar o texto do Manifesto que vamos divulgar no ato que faremos, dormi bem tarde. E como hoje, haviam tantas outras tarefas a fazer, dormi pouco. Estou com sono e não me atreverei a me alongar por demais explicando toda a questão, mesmo porque o Vermelho explica bem melhor que eu.

Peço licença para falar, não como militante, mas como ser humano. É lastimável que em pleno ano de 2008 o mundo esteja a assistir cenas como as que estão se passando na Faixa de Gaza. Quantas vidas tiradas. Sofrimento que gera ódio. Ódio que gera mais sofrimento. Que se arrasta sem parar. Até quando?

E a ONU? Deveria servir para esse tipo de coisa. Mas fica amarrada, os poderosos EUA tem poder de veto. Vários países contra, mas os poderosos e queridinhos ainda mandam no mundo. Por mais que o ideario neoliberal tenha arrasado como sua economia, militarmente são a potência mais poderosa do mundo. Só eles podem ter o que bem entendem. Os outros, são terroristas. Eles, a polícia do mundo.

Mais sangue por petróleo. Bloqueio. Não passa nem ajuda humanitária. Ontem, aprenderam um barco que levava medicamentos e médicos e acusaram de colaborarem com os terroristas.

Tristes dados: 375 palestinos mortos. 4 israelenses. 80% dos palestinos da Faixa de Gaza precisam de ajuda humanitária para viver. Mais de 45% estão desempregados. Quase metade da população é de crianças.

Acabo de ler: "Israel diz que ataques aéreos são só o início"

Que triste momento!

Entendam melhor: Verdadeira história não é contada por Israel

domingo, 30 de novembro de 2008

Senhora diretora, a ditadura acabou!

Completamente sem noção o que aconteceu semana passada no Colégio Estadual Jorge Shimelpheng, aqui em Foz. Um surto de autoritarismo tomou conta da diretora que agindo contra a Lei Estadual 11.057, de 17 de janeiro de 1995, tentou barrar uma reunião do Grêmio Estudantil. E como se não bastasse, quando foi a ela apresentada por integrantes do Grêmio a mencionada lei, disse que o único direito era o de se retirarem do colégio pois estavam expulsos.

Era de se esperar que no dia seguinte a diretora refletisse sobre o que havia feito e recuasse em sua descabida açào. Mas nào foi o que aconteceu. Quando o aluno Felipe Barreto, presidente do Grêmio Estudantil chegou ao colégio, foi impedido de entrar. Chamou então sua advogada, que pasmem, também foi impedida de entrar.

É um verdadeiro desrespeito à democracia brasileira, que foi conquistada a um custo muito alto e com sangue derramado dos que lutaram pela redemocratização e o fim da ditadura militar. É inadmissível que resquícios como estes venham a acontecer e é por isso que assim como a UPES (União Paranaense dos Estudantes Secundaristas) e os grêmios dos colégios Barão do Rio Branco, Monsenhor Guilherme e Ipê Roxo venho aqui prestar a minha solidariedade e meu sentimento de indignação. Não podemos tolerar este ato de autoritarismo exacerbado. Avisem aos que ainda não entenderam que a ditadura acabou e faz tempo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Impressões

Curitiba ainda é a mesma. Com seu céu cor de cinza, mendigos, mansões, contradições. Barrado na Assembléia Legislativa por estar vestindo short me restou conhecer o museu Oscar Niemeyer. E que beleza. Fiquei encantado. Logo ao chegar percebi a característica própria que todos os seus projetos compartilham. Belíssimas exposições. Como não entendo muito de arte, acompanhei por alguns passos e palavras as explicações de uma instrutora para uma turma de uma escola que visitava o museu. Falava dos pequenos tracinhos que formavam um desenho único. Deu o nome para aquela técnica e não me recordo. Arte moderna também encontrei. Moderna mesmo, com direito a designer e audiovisual (estou tentando me adaptar ao novo tratado ortográfico da língua portuguesa que está mais brasileira do que nunca). A convivência com os camaradas sempre é especial. Agradeço a excelente macarronada que a Mariana e a Daisy prepararam. Falando em comida, tinha uma paçoquinha especial no caminho todos os dias. Preciso parar de tomar refrigerantes e caminhar.

Hoje participei de uma Assembléia Geral dos Estudantes no colégio Jorge Shimelpheng que aprovou o estatuto do grêmio. Legal ver a galera motivada para fazer luta e transformar a sociedade. Força!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Entendendo a China

No último post disse do questionamento do meu pai em relação a China. Muitos ricos e pobres e aquele pensamento de que a China está cada vez mais aberta ao capitalismo. Encontrei este artigo do Elias Jabour que relembra um pouco os estágios do socialismo apontados pelo Marx e pelo Engels. Vale a pena conferir.


Engels e os estertores do “socialismo de mercado” na China


Ao lado da mitificação do papel do capital estrangeiro e da variável “preço da mão-de-obra”, outro senso comum muito comum utilizado para “explicar” o crescimento chinês está numa certa “restauração capitalista” cuja expressão reside na legalização da propriedade privada e no cada vez maior papel que este tipo de propriedade tem jogado na China nos últimos anos.

Evidente que uma pretensa esquerda se aferra a este tipo de “argumento baseado na ignorância” para espalhar veredictos que em detrimento de observações baseadas no estudo do processo histórico em si tem guarida sob bases puramente morais, para não dizer religiosos...

Logo, em um momento histórico onde – para muitos “marxistas” – o materialismo já deixou de ser histórico se transformando num “arremedo de positivismo” acredito ser necessário resgatar alguns pontos de vistas desenvolvidos por Engels e Lênin acerca da transição socialista e o papel da propriedade privada e do mercado no processo que envolve a cristalização de uma sólida base econômica socialista. Além claro, da utilização da concorrência – como mecanismo de ajuste econômico – não somente entre empresas estrangeiras, mas também entre todos os tipos existentes de capitais privados, estatais ou coletivos.


O princípio da concorrência


Falando em concorrência entre os setores privados e socialistas como forma – na gestação da nova sociedade - de fortalecer a produção socializada. e que para muitos marxistas e onde o necessário salto metodológico transformando a análise histórica em história econômica, redundando em amplificações de teses a-históricas e religiosas acerca da presença de propriedade privada e capital estrangeiro na China, julgo necessário – como parte da discussão em tela -, trazer a tona pelo menos dois pontos de um total de 12 como forma resposta à questão levantada a Engels acerca dos caminhos a serem tomados pela revolução socialista, entre eles o Seguem abaixo os dois primeiros pontos (1):

1) Limitação da propriedade privada mediante impostos progressivos, fortes impostos sobre as heranças, supressão dos direitos hereditários em linha colateral (irmãos, sobrinhos, etc), empréstimos obrigatórios, etc.

2) Expropriação gradual dos proprietários fundiários, fabricantes, proprietários de ferrovias e armadores navais, em parte mediante a concorrência das indústrias do Estado (grifo nosso), em parte diretamente, mediante indenização em hipotecas.

Em outro momento ao questionado sobre a possibilidade de eliminar a propriedade privada “de um só golpe”, o mesmo Engels expôs (2):

“Não, do mesmo modo que as forças produtivas existentes não podem ser multiplicadas de um só golpe na medida necessária para a instituição da comunidade dos bens. A revolução do proletariado, que com toda a probabilidade está para se produzir, só poderá, portanto transformar gradualmente a sociedade atual e só poderá abolir a propriedade privada quando tiver criado a massa de meios de produção necessária para isso.”

As citações lançadas acima tem por objetivo servir de base para demonstrar as diferenças entre as essências das reformas iniciadas em 1978 na China com as sugeridas pelo Consenso de Washington. Resumindo enquanto os países que seguiram o rumo do neoliberalismo selvagem, cuja estratégia consistia em privatizações e desnacionalizações em massa, combinadas com aberturas comerciais indiscriminadas e desregulamentação financeira total, a governança chinesa planificadamente incentivou a concorrência entre os setores estatal, privado e estrangeiro da economia e dinamizou o próprio setor estatal com o desmembramento de imensos setores, como por exemplo os relacionados à aviação civil e petróleo, na intenção de a partir da concorrência entre empresas estatais do mesmo setor serviriam como o dínamo de busca de inovações tecnológicas e oportunidades de negócios lucrativos no exterior.

O resultado imediato dessa política por um lado foi o fortalecimento do setor privado da economia, significando possibilidades de abertura de novos campos de investimentos, institucionalização de reserva de mercado e possibilidade de entrada de milhões de camponeses na economia de mercado, que anteriormente empregavam-se numa dita economia natural, ou produção para auto-sustento. Para muitos esse fortalecimento do setor privado é classificado como um retrocesso ao capitalismo. Pura falta de visão de processo histórico e de visão de conjunto. Pois, o florescimento de uma divisão social do trabalho e na esteira de uma economia de mercado nascente só pode ser classificada como um grande avanço. Bom mais uma vez recorrermos à Engels (3).

“De tudo que dissemos, infere-se, pois, que a civilização é o estágio de desenvolvimento da sociedade em que a divisão do trabalho, a troca entre indivíduos dela resultante, e a produção mercantil – que compreende uma e outra – atingem seu pleno desenvolvimento e ocasionam uma revolução em toda a sociedade anterior”

Retornando por outro lado, executou-se um vigoroso programa de reestruturação das empresas estatais - que fechou inclusive 54.000 micro-empresas do Estado -, implicou: 1) num processo planejado de conglomeração em direção a grandes grupos monopolistas de Estado (energia, eletrônica, ferro e aço, farmacêutica, construção, transporte, petróleo), destacando-se oito deles em energia e química e 2) na redução da participação relativa dessas empresas na economia: caiu de 78% para 65% (4).

Desculpem, mas creio ser necessária ainda algumas observações acerca do processo de fortalecimento da propriedade privada na China. Para Marx, em contraposição aos seus contemporâneos tendentes a relacionar o socialismo como uma espécie de sociedade igualitarista, o objetivo do socialismo – como fase de transição ao comunista – é a eliminação das diferenças entre campo e cidade, trabalho manual e intelectual e entre indústria e agricultura. Enfim, o objetivo do socialismo é a erradicar a divisão social do trabalho.

Neste aspecto, sobre a China, é nodal expor que dada sua grandeza territorial e populacional do país faz-nos sugerir que – na China – estão em plena convivência não somente três chamadas “revoluções industriais”, significando que ao lado de formas típicas da 2ª Revolução Industrial (RI) existem ainda grandes parcelas da economia transitando tanto à primeira quanto à segunda e desta à terceira RI (setor espacial, por exemplo), mas também tanto a pequena produção mercantil (pequeno modo de produção precursor do capitalismo), quanto a economia natural.


O comércio como variável de primeira grandeza


Fica uma pergunta, como executar as tarefas elencadas por Marx em uma sociedade, cuja população camponesa é maior que a população total de continentes como a África e a poderosa Europa, sendo que boa parte delas com instrumentos de trabalho do século 17? O problema da transição é mais complexa do que muitos simplistas de “esquerda” imaginam.

Sob uma outra ótica, um Estado de tipo socialista convivendo numa época em que a o comércio internacional transformou-se em variável de primeira grandeza, o que nos sugere que a variável comércio internacional tem sido o lócus primário da luta-de-classes em âmbito internacional, não deve prescindir de poderosos monopólios estatais prontos ao enfrentamento desta “guerra comercial” em curso. O resultado foi a estréia de empresas chinesas no chamado ranking Global 500 elaborado pela Revista Fortune, conforme tabela abaixo:


EMPRESAS CHINESAS NO RANKING DA REVISTA FORTUNE 500

__________________________________________________________



1 SINOPEC - 23º
2 STATE GRID - 32º
3 CHINA NATIONAL PETROLEUM - 39º
4 INDUSTRIAL & COMMERCIAL BANK OF CHINA -119º
5 CHINA MOBILE COMMNICATIONS-202º
6 CHINA LIFE INSURANCE-217º
7 BANK OF CHINA -255º
8 HUTCHISON WHAMPOA - 259º
9 CHINA SOUTHER POWER GRID-266º
10 CHINA CONSTRUTION BANK-277º
11 CHINA TELECOMUNICTIONS-279º
12 BAOSTEEL GROUP-296º
13 SINOCHEM -304º
14 AGRICULTURAL BANK OF CHNA-377º
15 CHINA RAILWAY ENGINEERING -441º
16 COFCO -463º
17 CHINA FIRST AUTOMOTIVE WORKS- 470º
18 SHANGAI AUTOMOTIVE- 475º
19 CHINA RAILWAY CONSTRUTION- 485º
20 CHINA STATE CONSTRUCTION-486º

FONTE: CORRÊA, Domingos S.: “Desenvolvimento Econômico e Estratégias de Expansão de Empresas na Ásia”. In, Revista de Geografia Econômica. Dossiê Ásia-China 1. Edição Piloto, págs. 210-219. Núcleo de Estudos Asiáticos do Depto. de Geociências do CFH-UFSC. Junho de 2007.


Conforme demonstrado na tabela, ao todo 20 empresas chinesas estão entre as 500 maiores do mundo. Importante frisar que 18 das empresas incluídas no ranking são estatais. Tratam-se de empresas que atuam nos setores de petróleo, energia, financeiro, telecomunicações, automobilístico, ferroviário e de construção (5).

Em outras palavras os capitais estatal, social ou coletivo estão devidamente centralizados nos setores estratégicos da economia, algo muito em harmonia ao dito “estágio primário do socialismo”.


Notas


(1) ENGELS, F.: “The Principles of Communism”. In, MARX, K. & ENGELS, F.: Selected Works, Volume 1, p. 91, Progress Publishers, Moscow, 1969.


(2) Idém, pág. 89.

(3) ENGELS, F.: “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”. In, MARX, K. & ENGELS, F.: Obras Escolhidas. Vol. 3, p. 138-141. Vitória.

(4) JABBOUR, Elias: China: infra-estruturas e crescimento econômico. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006. p. 55.

(5) CORRÊA, Domingos S.: “Desenvolvimento Econômico e Estratégias de Expansão de Empresas na Ásia”. In, Revista de Geografia Econômica. Dossiê Ásia-China 1. Edição Piloto, págs. 212-213. Núcleo de Estudos Asiáticos do Depto. de Geociências do CFH-UFSC. Junho de 2007.


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*Elias Jabbour, é Doutorando e Mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP, membro do Conselho Editorial da Revista Princípios e autor de ''China: infra-estruturas e crescimento econômico'' 256 pág. (Anita Garibaldi).


Fonte: Vermelho

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sem entender

Agora pouco estava a assistir um pouco de televisão. Vejo uma matéria que trata do dia-a-dia das empregadas domésticas e dos mordomos. Mostra uma senhora que desde os 14 anos trabalha e mora na casa de uma mesma familia. Uma guria que trabaha de domingo a domingo e diz felizmente que o seu lazer é quando dorme. Levanto indignado e acordo meu pai. Pergunto a ele se a escravidão realmente acabou e se as pessoas acham tudo isso normal. Ele me pergunta se existe algum lugar que não seja assim. Meu pai não acredita que podemos mudar tudo isso. As vezes me acha meio maluco, sonhador. Digo a ele que existem algumas experiências avançadas como Cuba, China e Vietnam. Me retruca. Em Cuba as familias dão os filhos para o estado. Na China tem um monte de ricos e pobres. Vietnam não deu tempo pois a mesma emissora grita do quarto que existe ameaça de desemprego de trabalhadores porcausa da crise. Olho pro meu pai que também não gosta da política externa dos norte americanos e está feliz com a vitória do Obama. Digo a ele que essa é uma crise sistêmica do capitalismo e que os mesmos que sempre pregaram a presença mínima do estado na economia agora querem salvar os bancos com o dinheiro do povo. Mais uma vez, quem paga a conta são os trabahadores. Ameaçados pela crise e meio sem entender. Sem entender porque aquela guria vai trabalhar a vida inteira para ter talvez uma casa própria e se tiver muita sorte um carro. Sem entender a tristeza do palhaço que pede dinheiro no sinal. E os que catam papel no lixo do meu prédio. E as crianças da ilha das flores. Sem entender os meninos exterminados pela polícia e os animais que tem as peles arrancadas enquanto estão vivos porque é mais lucrativo. Sem entender a poluição, a degradação dos rios e os animais em extinção. Sem entender.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Como água nas formigas?

Não preciso de uma banheira
pois sei que tenho uma cachoeira
um dos presentes do nosso senhor
aquele cara chamado de Jah
foi ele quem criou
aquilo que os seus olhos podem ver
o nosso dever é sempre preservar
pois um dia ninguém mais vai ter

águaaaaaaaaaa
águaaaaaaaaaa
águaaaaaaaaaa
águaaaaaaaaaa

com você sei que posso contar
pra essa água nunca acabar
mas não deixo de fazer a minha parte
a mensagem acabei de mandar
o som sai do meu coração
e direto no seu vai entrar
nós estamos juntos na missão
dessa água devemos cuidar

águaaaaaaaaaa
águaaaaaaaaaa
águaaaaaaaaaa
águaaaaaaaaaa

por favor ajudem a cuidar
isso eu peço em nome de Jah
vive a vida ficando de cara
vendo toda essa água acabar
por isso meu irmão
preste bem atenção
no que agora eu vou lhe contar
água é paz, água é amor, água é vida
água é tudo e sem ela não dá

Banda Raizen, Nay'água.




Tenho ouvido que o mundo está acabando. Mas vai acabar quando? Alguns acham que não passa de 30 anos. Discordo. É bem verdade que o ritmo de exploração dos recursos minerais e a poluição causada pelo ritmo de produção desenfreada para o aumento dos lucros dos grandes investidores e especuladores nos leva a auto-destruição. Chegamos mesmo a pensar, será que evoluimos? Até que ponto evoluímos? Mais uma crise sistêmica do capitalismo. Ao menos parece ser o início do fim da era Neoliberal. Mas tem um preço e quem vai pagar a conta são os trabalhadores. Mais uma vez prejuízos socializados.

Ao jogar água em várias formigas algumas sobrevivem. Se pusermos fogo, algumas escapam. Acontece que salvo no caso de uma catástrofe natural, os seres humanos evoluídos do macaco em homem através do trabalho e através desse mesmo trabalho propiciadores de conforto a uma pequena parte de outros seres ditos humanos, acabam por serem selecionados "naturalmente" para a morte. Sim. Uns estão menos protegidos e outros mais. Uns sem comida e outros com fartura e desperdício. E o aviso do Raizen pra cuidar da água é coisa séria. A água potável estará cada vez mais rara. Então, como os rios já estarão poluídos, vamos desalinizar a água do mar. E o custo disso? Paciência. Alguns vão poder beber água, outros passarão sede antes de morrer. Drástico? Real.

Abraço aos amigos Giovane Grespan, Tiago Berrido e Thiago Kodama.

DROPS (sabor baiacu)

Vivemos dias difíceis. Noites também.

Meu nome é 2008, mas podem me chamar de 1929.

As cataratas do Iguaçu são a salvação do turismo. A catarata é o ganha-pão do oftalmologista.

Era um gari tão eficiente que varria até países do mapa.

Uma coisa a mulher e o político têm em comum: ambos procuram um bom partido.

Emprego está mais raro que nota de 100 reais em chapéu de mendigo.

Sandro Villar é metido a americanista.


Fonte: Blog do Bourdokan

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Blog do Mino

Dando a tradicional revisada na minha lista de Blogs, olha só o que achei:

O último post

Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos. Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada.


E falam que a censura acabou. Parabenizo aos jornalistas Mino Carta e Paulo Henrique Amorim, exemplos raros de combate à mídia golpista e manipulada.

Para nossa alegria, após mais de seis meses, assim como eu, está de volta em novo endereço: http://www.blogdomino.com.br/

De volta, as palavras

Acabou o silêncio por aqui. Como bom moço e respeitador de nossas leis, fiquei por esses tempos de eleições, na condição de candidato, impedido de por aqui me pronunciar. Passadas as eleições, passado o merecido descanso, volto, pois ainda tenho muito a dizer. O processo eleitoral foi riquíssimo. Uma experiência que vou levar para toda a minha vida. Conheci muita gente e fiz grandes amizades. O contato com o povo mais humilde é de uma riqueza sem precedentes e mais ainda para nós, que enxergamos na luta política uma luta social com um projeto de cunho classista.

Aproveito a oportunidade para agradecer cada um dos 421 votos, que foram conquistados um a um pela combativa militância desta juventude do Araguaia, que sai deste pleito muito mais forte do que entra, tanto pelo amadurecimento quanto pelo crescimento de suas fileiras com a chegada de novos camaradas que simpatizaram com as nossas idéias e estão dispostos a ir para a luta da construção de uma sociedade mais justa. Temos o exército e como juventude fortemente ideológica que somos agora daremos as armas e a munição, o estudo da teoria revolucionária e a organização leninista.

Um salve pra todos os irmãos do Hip-hop, em especial para a Banca CDR (Cartel do Rap) que abraçou a nossa campanha, deu um grande show na festa da UJS e nos brindou com um excelente jingle, criado e gravado pelos manos Santiago e Guilherme. Admiro pra caramba o trampo desse movimento organizado há 8 anos em nossa cidade, que além dos eventos que realiza, possui ainda uma marca de roupa (Négre), oficinas de DJ e Break e em breve grafitti. Sem falar no Zine, que confesso, desde que conheci devoro todos os meses, pois além de ser completamente revolucionário é muito divertido.

Agradecer ainda aos grandes músicos e amigos da banda Raizen pelo excelente jingle e brilhante participação na festa da UJS. Registrar também a participação dos camaradas do Carimambojah (não sei se é assim que se escreve). Excelente na verdade é muito pouco. Pela verdadeira obra de arte, que com certeza foi abençoada por Jah, que quer o mesmo que nós. Paz, felicidade, salvar a natureza e libertar o nosso povo de toda e qualquer exploração. Muito me orgulha ver a qualidade do reggae iguaçuense, expressa as belezas da natureza e não esquece o sofrimento da “gente guerreira querendo paz”.

E a nossa tática eleitoral estava correta. Pela primeira vez a terra das Cataratas vai ter um vice-prefeito comunista. Chico foi um dos fundadores da UJS, militou no movimento estudantil e é um dos principais quadros do Partido no estado. A cadeira vermelha na câmara municipal, troca de nome mas permanece, com um camarada tão preparado quanto seu antecessor. Parabenizar a vitória do professor Nilton Bobato, que há muitos anos ajuda a construir o PCdoB em nossa cidade.

Bom estar de volta!

terça-feira, 11 de março de 2008

Conferência Municipal de Juventude e a Inclusão do Jovem

Participei na última sexta-feira da Conferência Municipal de Juventude, oportunidade em que nós jovens tivemos para darmos a nossa contribuição, detectando os principais problemas e encontrando as soluções que venham a ser aplicadas através de políticas públicas voltadas à juventude.

Foram separados três grupos temáticos: Sexualidade, Drogas e Tempo Livre; Trabalho, Cultura e Educação; Mídia, Meio-Ambiente e Política. Participei do primeiro.

Bacana pra caramba ver a juventude discutir assiduamente sobre os temas propostos. Desde o primeiro momento até estourarmos o tempo da discussão vários problemas foram apontados e soluções encaminhadas.

Devemos entender a juventude não somente como fase da vida, mas como uma importante etapa de transformação do indivíduo onde a educação, o trabalho, a saúde e o acesso à cultura e a tecnologias de informação são fundamentais para a inclusão social. Fica evidente a necessidade da aplicação de políticas públicas que congreguem ações que garantam esta inclusão.

Foz do Iguaçu é a cidade em que proporcionalmente mais morrem jovens em todo o Brasil. Triste fato, ocasionado entre outros fatores pelo crescimento urbano desordenado, desemprego gerado por políticas de combate à sonegação de impostos. Visualmemte um problema estrutural de difícil solução que exige ações conjuntas dos três poderes em suas respectivas esferas de atuação.

Para agir de forma tática, ordenada e eficaz no "caos juvenil" em que nosso município está inserido, é necessário um programa de ações a curto, médio e longo prazo visando inserir o jovem que está à margem do processo social, a fim de prevenir a entrada do jovem na marginalidade ou no uso de entorpecentes.

A inclusão dos jovens deve ser feita por programas de inserção e acompanhamento, atuando em áreas estratégicas e de resultados comprovadamente satisfatórios: Inclusão Cultural, Digital e Ensino Profissionalizante.

A inclusão cultural é vista por especialistas como a forma mais eficaz de inclusão a curto prazo, tendo em vista que os jovens geralmente já tem alguma afinidade, seja musical, circense, teatral ou de artesanato.

O acesso aos meios digitais além de capacitar o jovem para o mercado de trabalho, permitem o acesso a informação ampla, irrestrita e democrática. Possibilita o contato com outras juventudes organizadas do mundo e contribui para o crescimento de suas perspectivas, afastando-o de atividades ilícitas.

O ensino profissionalizante deve abranger dois eixos de trabalho: Treinamento Rápido e Formação Continuada. O primeiro visa a entrada imediata do jovem no mercado de trabalho e a segunda visa dar um acompanhamento para sua constante qualificação visando o crescimento profissional e de renda.

Tive a honra de ser eleito como delegado para a Conferência Estadual de Juventude, que ocorrerá nos dias 21, 22 e 23 desse mês em Faxinal do Céu. Lá vamos apresentar o que debatemos por aqui e as soluções a que chegamos, além de ouvirmos muitas outras realidades e ajudarmos na construção de uma sociedade mais justa.

Agradeço à Direção da União da Juventude Socialista por elaborarmos esse raciocínio aqui apresentado. Parabenizo os demais delegados eleitos como representantes de toda a juventude de nossa cidade.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Cebrapaz: Em defesa da saída política ao conflito armado na Colômbia e do intercâmbio humanitário

Há mais de 43 anos o povo colombiano grita ao mundo por sua dor e seu sofrimento. Há anos o sofrimento do povo deste país-irmão vem sendo abafado pelos grandes grupos econômicos que controlam governos e a grande imprensa que, em sua guerra ideológica, baseada em mentiras e falsos acontecimentos, deixa a nós brasileiros e ao mundo de costas para o resto da América Latina. Porém, a realidade desmente o que dizem os grandes veículos de comunicação (e as chamadas ''mídias de referência'').

Cada vez mais os povos de todo o mundo se levantam contra o Terrorismo de Estado, o militarismo e o narco-paramilitarismo, que assola a Colômbia e ameaça a paz em toda a nossa América Latina e o Caribe.

As súplicas do povo colombiano por Paz com Justiça Social, Soberania e Dignidade ecoam por todos os cantos do globo e encontram terreno fértil em muitos lugares, onde, infelizmente, não está incluída a própria Colômbia.

O conflito está evidente aos olhos de qualquer um que procure enxergar a realidade. Apesar disso, o governo colombiano insiste em negar a existência de um conflito armado em seu país, mesmo gastando 22,2 bilhões de pesos anualmente em sua guerra suja, um percentual do PIB ainda maior que a nação mais militarizada do planeta. Planejada e coordenada pelos Estados Unidos, principal beneficiário da guerra e do tráfico de drogas, os males que afligem a Colômbia afundam o país no caos e na pobreza, com uma dívida humanitária impagável e incalculáveis vidas desperdiçadas por um ''câncer'' que já sugou a vida de pelo menos 300 mil de seus cidadãos.

Nesse jogo de interesses com origem nos Estados Unidos, o maior e mais destrutivo império de todos os tempos, o presidente Álvaro Uribe Vélez se contrapõe a qualquer gesto humanitário que possa levar ao Intercâmbio Humanitário (a troca de prisioneiros), passo fundamental para por fim ao sofrimento de tantas famílias colombianas e estrangeiras, fundamental para que se iniciem, concretamente, as negociações de paz.

Não há saída militar para o conflito. Os que jogam contra a paz e a solução política para esse conflito que provoca tanto sofrimento aos nossos irmãos colombianos são os mesmos que lucram com a guerra e a utilizam para proteger os seus negócios sujos, como o tráfico de drogas, a corrupção e o assalto ao povo daquele país. A procura por uma saída política para o conflito armado na Colômbia é a única alternativa concreta para esse povo tão bravo e lutador.

De todas as formas, aqueles que estão comprometidos com a guerra tentam deter o avanço dos embaixadores da paz no país. O mandatário da República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez Frías, e a senadora Piedad Córdoba, que não poupam esforços pela paz na Colômbia e no continente, foram sabotados descaradamente em suas ações em prol do regresso dos detidos ao seio de suas famílias.

Somente com amplo apoio internacional, os clamores do povo que anseia pela paz serão ouvidos nos elegantes salões da Casa Branca e da Casa de Nariño, garantindo assim um futuro para a paz. O povo colombiano clama pelo fim dos desaparecimentos e desalojamentos forçados, das ameaças, das execuções extrajudiciais e dos massacres aos povos desse país, desde os camponeses e indígenas aos jovens militantes urbanos, líderes sindicais e populares. São mulheres, homens e crianças, mais de 300 mil vítimas inocentes cujo sangue foi derramado para garantir os privilégios dos criminosos que se encastelam no poder.

É com muito orgulho e um forte sentimento de solidariedade que o povo do Brasil ergue-se em defesa dessa causa justa, para dizer um basta à violência e exigir que o governo colombiano escolha o caminho do diálogo, da solução política para o conflito, ao invés das ameaças, dos bombardeios e da obediência aos interesses estadunidenses.

Vamos exigir que o governo colombiano opte pela vida ao invés da morte e pela verdadeira democracia, na qual o soberano seja o povo, ao invés de uma ditadura fascista ou da guerra. Clamamos por outra realidade possível, por uma Colômbia em Paz com Justiça Social, uma Colômbia Digna e Soberana.

Chega de massacres!

Chega de guerra!

Pelo Intercâmbio Humanitário!

Por uma saída política para o conflito!


Para apoiar o manifesto entre em contato conosco através do e-mail cebrapaz@uol.com.br

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz

terça-feira, 4 de março de 2008

Voltando...

Alguns meses em que nada escrevo. Passei um tempo estudando, devorando alguns livros que haviam ficado acumulados durante o ano que passou. Volto hoje a atividade de elaboração para meu blog. Fico feliz em voltar para a luta das idéias, ajudando a construir uma sociedade melhor.

Esses dias me encontrava na Câmara Municipal de Vereadores assistindo a uma sessão ordinária, quando sobe à tribuna o vereador Neuso Rafain (PTB). Não poupou elogios à Revista Veja, que estampava em sua capa "Vai Tarde Fidel". Muito me entristece as palavras do nobre edil, que descreveu momentos de sua viagem à Cuba. Esquece no entanto o cruel bloqueio imposto pelos EUA e enfrentado com bravura pelo povo da ilha. E mesmo em sua fala, reconhece os grandes méritos do regime, com relação à educação, saúde e esporte. Parabenizo o vereador Chico Brasileiro (PCdoB) pela brilhante resposta aos ataques.

Na Colômbia, o regime de Álvaro Uribe, lacaio de Washington, fiel seguidor da doutrina Bush, não respeitou a integridade territorial do Equador e assassinou covardemente 17 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colombia, entre eles Raúl Reyes, porta-voz das FARC. Assim como o governo de Israel, praticante também do terrorismo de Estado contra os palestinos. A esses governos não interessa a paz, apenas os negócios.