sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A Comuna de Paris



O primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante à invasão alemã. A Comuna de Paris adotou uma política de caráter socialista, baseada nos princípios da Primeira Internacional.

O governo revolucionário foi formado por uma federação de representantes de bairro (a guarda nacional, uma milícia formada por cidadãos comuns). Uma das suas primeiras proclamações foi a "abolição do sistema da escravidão do salário de uma vez por todas". A guarda nacional se misturou aos soldados franceses, que se amotinaram e massacraram seus comandantes. O governo oficial, que ainda existia, fugiu, junto com suas tropas leais, e Paris ficou sem autoridade. O Comitê Central da federação dos bairros ocupou este vácuo, e se instalou na prefeitura. O comitê era formado por Blanquistas, membros da Associação Internacional dos Trabalhadores, Proudhonistas e uma miscelânea de indivíduos não-afiliados politicamente, a maioria trabalhadores braçais, escritores e artistas.

Eleições foram realizadas, mas obedecendo à lógica da democracia direta em todos os níveis da administração pública. A polícia foi abolida e substituída pela guarda nacional. A educação foi secularizada, a previdência social foi instituída, uma comissão de inquérito sobre o governo anterior foi formada, e se decidiu por trabalhar no sentido da abolição da escravidão do salário. Noventa representantes foram eleitos, mas apenas 25 eram trabalhadores, e a maioria foi constituída de pequenos-burgueses. Entretanto, os revolucionários eram maioria. Em semanas, a recém nomeada Comuna de Paris introduziu mais reformas do que todos os governos nos dois séculos anteriores combinados:


  1. O trabalho noturno foi abolido;
  2. Oficinas que estavam fechadas foram reabertas para que cooperativas fossem instaladas;
  3. Residências vazias foram desapropriadas e ocupadas;
  4. Em cada residência oficial foi instalado um comitê para organizar a ocupação de moradias;
  5. Todas os descontos em salário foram abolidos;
  6. A jornada de trabalho foi reduzida, e chegou-se a propor a jornada de oito horas;
  7. Os sindicatos foram legalizados;
  8. Instituiu-se a igualdade entre os sexos;
  9. Projetou-se a autogestão das fábricas (mas não foi possível implantá-la);
  10. O monopólio da lei pelos advogados, o juramento judicial e os honorários foram abolidos;
  11. Testamentos, adoções e a contratação de advogados se tornaram gratuitos;
  12. O casamento se tornou gratuito e simplificado;
  13. A pena de morte foi abolida;
  14. O cargo de juiz se tornou eletivo;
  15. O calendário revolucionário foi novamente adotado;
  16. O Estado e a Igreja foram separados; a Igreja deixou de ser subvencionada pelo Estado e os espólios sem herdeiros passaram a ser confiscados pelo Estado;
  17. A educação se tornou gratuita, secular, e compulsória. Escolas noturnas foram criadas e todas as escolas passaram a ser de sexo misto;
  18. Imagens de santos e outros apetrechos religiosos foram derretidos, e sociedades de discussão foram criadas nas Igrejas;
  19. A Igreja de Brea, erguida em memória de um dos homens envolvidos na repressão da Revolução de 1848 foi demolida. O confessionário de Luís XVI e a coluna Vendome também;
  20. A Bandeira Vermelha foi adotada como símbolo da Unidade Federal da Humanidade;
  21. O internacionalismo foi posto em prática: o fato de ser estrangeiro se tornou irrelevante. Os integrantes da Comuna incluíam belgas, italianos, poloneses, húngaros;
  22. Instituiu-se um escritório central de imprensa;
  23. Emitiu-se um apelo à Associação Internacional dos Trabalhadores;
  24. O serviço militar obrigatório e o exército regular foram abolidos;
  25. Todas as finanças foram reorganizadas, incluindo os correios, a assistência pública e os telégrafos;
  26. Havia um plano para a rotação de trabalhadores;
  27. Considerou-se instituir uma Escola Nacional de Serviço Público, da qual a atual ENA francesa é uma cópia;
  28. Os artistas passaram a autogestionar os teatros e editoras;
  29. O salário dos professores foi duplicado.

Fonte: Wikipédia

Sugestão: Ensinamentos da Comuna, por Silvio Costa. Muito bom!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Venezuela rumo ao socialismo!

O nível dos Blogs iguaçuenses está cada vez melhor. Gostei muito do que li no do Luiz Henrique, reproduzo o post dele abaixo. Ao lado o link do blog dele: A Vida Gira. O Mundo Segue.



Chaves vai tornar a Venezuela socialista. A classe média (apoiada na elite), agora resolveu ir para a rua dizer não! Vejo as manifestações na TV, todos juntos, de mãos dadas e bem alimentados. O que a TV não mostra é que esta gente representa apenas 12% da paupérrima Venezuela. Vivem e enriquecem, na grande maioria, às custas da manutenção da fome e da pobreza.

O capitalismo se torna abalável quando uma minoria prega a democracia e oprime a maioria. Se a exclusão não atingisse tanta gente, Chaves não seria eleito. A Venezuela deveria ter pensado nisso antes de abandonar seu povo. Agora é tarde. Os pobres estão em maior número e têm um líder digno.

Que sirva de lição: ou incluem, um dividem. Não incluíram, vão ter que dividir.



E aqui pelo Brasil, agente tem que acordar de manhã e ouvir no Bom Dia Brasil que a reforma constitucional da Venezuela é para perpetuar o Chávez no poder. Bla bla bla.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Uma entrevista

Ter um irmão mais novo às vezes é bastante interessante. Ainda mais se ele estiver naquela fase da adolescência rebelde, que não quer saber de livros, mas só de música, festa e mulheres. Gosto do Mozilla Firefox porcausa que quando você fecha o programa, ao iniciar novamente ele pergunta se você gostaria de reiniciar a sessão encerrada ou iniciar uma nova sessão. Como sou curioso, momentos atrás optei por reiniciar a sessão encerrada, então abriu-se um site que dizia assim: Revista VIP - O Prazer de ser Homem. Um site bancado pela Editora Abril abriu no meu navegador. No lado direito uma capa da Revista VIP com a capa: "A mulher mais sexy do mundo! JULIANA PAES Bicampeã! Agora loira!". À esquerda, a sesão do site: MULHERES / JULIANA PAES. Abaixando um pouco mais a página havia um link: Entrevista. Interessante. Qual será a visão de mundo de uma das celebridades produzidas pela grande mídia e que vêm de raízes da classe proletária?

COMO VOCÊ, UMA ARTISTA, VÊ ESSA POLÊMICA DA PIRATARIA DE TROPA DE ELITE?
Acho que pirataria é um problema muito maior do que as pessoas propõem. Tratam a pirataria como se fosse uma mão única, como se só o consumidor fosse o culpado, mas não existe uma política para deixar o valor das coisas mais acessível. Se você está andando na rua e vê um DVD barato, vai comprar. Não sou a favor da pirataria porque o artista tem de ganhar dinheiro, ele vive daquilo, passa meses trabalhando e aquilo tem de ser valorizado. Mas pirataria não é o que mais me incomoda no momento. É o Senado.

COMO ASSIM?
Estou para mandar fazer uma camiseta “o Senado provoca náuseas”. É como se todo dia cuspissem na nossa cara, dissessem: “Otária”. Eu pago todas as minhas contas em dia, pago à vista para não ter nenhuma dívida, e depois vejo um monte de gente fazendo voto secreto para conseguir se camuflar no meio da bagunça. E esses mesmos caras se pressionando entre si para poder liberar o Renan e votar o fim da CPMF, que já era para ter acabado.


Gostei da parte do voto secreto. Gostaria mesmo era de uma reforma política. Daí poderíamos acabar de vez com o poder que o sistema financeiro impõe sobre as decisões políticas em detrimento do povo.

Ao ver a manipulação vergonhosa que a última capa da Revista Época foi capaz de fazer fiquei estarrecido. Link aqui. Outro bom caso é o golpe de estado que a mídia da Venezuela em parceria com o alto comando do Exército tentou por lá. Link aqui. Exemplos disso não faltam aqui pelo Brasil, basta um pouco de reflexão. Legal mesmo foi quando o Brizola conseguiu aquele direito de resposta ao Jornal Nacional. Link aqui. Segundo a Wikipédia, Senso comum (ou conhecimento espontâneo, ou conhecimento vulgar) é a primeira compreensão do mundo resultante da herança fecunda de um grupo social e das experiências atuais que continuam sendo efetuadas. No senso comum não há análise, o senso comum é o que as pessoas usam no seu cotidiano, o que é natural, o que elas pensam que é verdade. Infelizmente, os veículos de comunicação em massa, conseguem impor um senso comum à sociedade.


Para quem quiser conferir o site: Revista VIP.
Pra quem não quiser perder tempo com isso, uma boa dica de leitura é o artigo da Deputada Federal do PCdoB, Manuela d' Ávila a respeito do filme Tropa de Elite. Link aqui.



Abraço ao camarada Rafael Brasil, leitor do blog.