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terça-feira, 7 de abril de 2009

Reserva de Vagas

Participei na semana passada de um radio-debate promovido por uma turma de jornalismo da UDC, em que fui convidado pela Gladys Gonzalez a defender a reserva de vagas. Do outro lado, foi convidado o Eng. Mecânico Felipe. Desculpem por não recordar o sobrenome.

A reserva de vagas é uma bandeira histórica dos estudantes brasileiros que sempre lutaram por uma universidade mais próxima de seu povo. A UBES foi a primeira entidade a defender a reserva de 50% das vagas das universidades públicas para estudantes oriundos de escolas públicas.

A Universidade é um espaço que DEVE ser ocupado pela sociedade e isso só é possível facilitando o acesso daqueles que historicamente foram marginalizados e colocados em segundo plano.

Muito se falou em regime de mérito. Leia-se vestibular. Alegava-se a eficiência e que apenas asssim aqueles que "merecessem" seriam recompensados pela dedicação. Afirmação bastante contraditória e tanta disposição em defender um sistema que já provou seu caráter excludente e elitista e que por isso mesmo está com os dias contados.

Parecia que meu debatedor estava convencido da idéia de que com as cotas cairia a qualidade do ensino. Que barbaridade. Reserva de vagas sim, mas a qualidade da educação deve ser sempre melhorada, afinal não faltam experiências de países que investiram em educação e melhoraram todos os índices de desenvolvimento.

Outro ponto da discussão foi a de que a qualidade dos profissionais seria muito baixa se aprovarmos a reserva. Essa foi a mais absurda. Reserva de vagas é para facilitar o acesso. Isso não retira a necessidade do cotista de se empenhar tanto quanto ou mais (dado as suas condiçÕes de estudo e sua formação básica) que seus colegsd não cotistas durante o período em que estiver cursando a universidade. No mais, estudos como o de uma pedagoga da UNB, que me fugiu o nome, evidenciam que os estudantes que entraram pelo sistema de cotas tem demonstrado maior rendimento que os outros.

E por fim a questão das cotas para negros, bastante debatida. Primeiramente devemos entender que o racismo brasileiro tem singularidades próprias, decorrentes da formação histórica do país e do povo, e que negam aqui a existência de uma alegada "democracia racial".

Um dos pontos que fiz questão de destacar foi que após a escravidão os grandes "intelectuais" de nosso país desenvolveram vários estudos que indicavam o branquemaento da população. Fato que provou-se na mais descabida inverdade.

Assim, por mais que digam por vezes que não há racismo no Brasil, o fato é que ele existe. É só pegar os números de negros nas universidades e ocupando cargos de destaque na sociedade, ou ainda os salários sempre menores que os dos brancos por mais que exerçam funções idênticas.

É por isso que as cotas são fundamentais para iniciar a reparar esta opressão histórica significando portanto uma questão muito mais de classe do que étnica.