Participei na semana passada de um radio-debate promovido por uma turma de jornalismo da UDC, em que fui convidado pela Gladys Gonzalez a defender a reserva de vagas. Do outro lado, foi convidado o Eng. Mecânico Felipe. Desculpem por não recordar o sobrenome.
A reserva de vagas é uma bandeira histórica dos estudantes brasileiros que sempre lutaram por uma universidade mais próxima de seu povo. A UBES foi a primeira entidade a defender a reserva de 50% das vagas das universidades públicas para estudantes oriundos de escolas públicas.
A Universidade é um espaço que DEVE ser ocupado pela sociedade e isso só é possível facilitando o acesso daqueles que historicamente foram marginalizados e colocados em segundo plano.
Muito se falou em regime de mérito. Leia-se vestibular. Alegava-se a eficiência e que apenas asssim aqueles que "merecessem" seriam recompensados pela dedicação. Afirmação bastante contraditória e tanta disposição em defender um sistema que já provou seu caráter excludente e elitista e que por isso mesmo está com os dias contados.
Parecia que meu debatedor estava convencido da idéia de que com as cotas cairia a qualidade do ensino. Que barbaridade. Reserva de vagas sim, mas a qualidade da educação deve ser sempre melhorada, afinal não faltam experiências de países que investiram em educação e melhoraram todos os índices de desenvolvimento.
Outro ponto da discussão foi a de que a qualidade dos profissionais seria muito baixa se aprovarmos a reserva. Essa foi a mais absurda. Reserva de vagas é para facilitar o acesso. Isso não retira a necessidade do cotista de se empenhar tanto quanto ou mais (dado as suas condiçÕes de estudo e sua formação básica) que seus colegsd não cotistas durante o período em que estiver cursando a universidade. No mais, estudos como o de uma pedagoga da UNB, que me fugiu o nome, evidenciam que os estudantes que entraram pelo sistema de cotas tem demonstrado maior rendimento que os outros.
E por fim a questão das cotas para negros, bastante debatida. Primeiramente devemos entender que o racismo brasileiro tem singularidades próprias, decorrentes da formação histórica do país e do povo, e que negam aqui a existência de uma alegada "democracia racial".
Um dos pontos que fiz questão de destacar foi que após a escravidão os grandes "intelectuais" de nosso país desenvolveram vários estudos que indicavam o branquemaento da população. Fato que provou-se na mais descabida inverdade.
Assim, por mais que digam por vezes que não há racismo no Brasil, o fato é que ele existe. É só pegar os números de negros nas universidades e ocupando cargos de destaque na sociedade, ou ainda os salários sempre menores que os dos brancos por mais que exerçam funções idênticas.
É por isso que as cotas são fundamentais para iniciar a reparar esta opressão histórica significando portanto uma questão muito mais de classe do que étnica.
Mostrando postagens com marcador u. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador u. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 7 de abril de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)
