quarta-feira, 5 de setembro de 2007

DCE UDC pela reestatização da Vale do Rio Doce

Acabo de receber e-mail do presidente do DCE UDC, Sérgio Santander a respeito do plebiscito pela reestatização da Vale do Rio Doce, o qual reproduzo na íntegra.






O plebiscito sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce é um acontecimento histórico. A empresa foi um dos pilares do Brasil moderno criado pela "era Vargas", parcialmente destruído pela "era FHC". Defender a volta da Vale do Rio Doce como empresa estatal é defender o Brasil.
Em maio de 1997, em pleno auge da "era FHC", uma pesquisa divulgada por ninguém menos do que a revista Veja mostrou que 50% dos entrevistados discordavam da privatização da Vale do Rio Doce — contra 30% que apoiavam e 18% que não tinham opinião. Ou seja: sete de cada 10 brasileiros não estavam de acordo com uma ação que foi considerada um marco do modelo liberalizante que avassalou o país. E metade dos brasileiros estava simplesmente contra. O resultado reflete a memória nacional.

A fraudulenta privatização da Vale do Rio Doce se insere quando os neoliberais pregaram à exaustão que o programa de desestatização era fundamental para abater a dívida pública — que ao invés de diminuir cresceu assustadoramente. A verdade aparece quando se observa com atenção alguns dados da privatização desta empresa-símbolo da soberania nacional.
Quando a Vale do Rio Doce foi privatizada, os mandantes e executores do processo esconderam que o consórcio vencedor não manteria o centro das decisões da empresa, de fato, no Brasil. Comportaram-se como se essa não fosse uma questão relevante — quando na verdade é fundamental em se tratando de uma empresa estratégica para a economia nacional. A premissa de que a nacionalidade do controle das empresas estratégicas é fundamental é própria dos democratas e patriotas.

As atividades de pesquisa e desenvolvimento também se concentram fortemente na base nacional das empresas. Uma pesquisa feita por dois economistas da Universidade de Sussex, Pari Patel e Keith Pavitt, mostrou que as companhias da Alemanha, do Japão e dos Estados Unidos realizavam sempre menos que 15% da sua atividade tecnológica fora do país de origem. É na base nacional que a mão-de-obra é treinada para tarefas mais adiantadas, mais sofisticadas.Na "era FHC", a Vale do Rio Doce — assim como todo o setor público — vivia sob achincalhe de figuras importantes do governo. Luiz Carlos Mendonça de Barros, por exemplo — que hoje se vangloria de ter ficado rico "graças a Deus e aos juros de Pedro Malan" — disse, quando era presidente do BNDES, que a Vale do Rio Doce deveria ser fatiada para ser vendida em pedaços. São fatos da história do Brasil que justificam perfeitamente uma batalha sem trégua pela reestatização da Vale do Rio Doce.

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