Hoje, ao sair de meu apartamento e caminhar em direção a garagem, várias crianças felizes brincavam em meu prédio, embora caísse uma chuva fina. Havia uma programação especial para elas promovida pela administração do condomínio, com direito a cama elástica, piscina com bolinhas e até rapel solidário (era necessária a doação de 1 Kg de alimento imperecível). Os pais corujas faziam questão de acompanhar as brincadeiras dos pequenos. Foi até distribuído picolé.
Engrossa a chuva. Pego o carro, reflito sobre o quanto aquelas crianças e seus pais estão felizes. Passo, em direção à saída do condomínio, mais uma vez por ali.
Não sei descrever ao certo o que senti quando parei no primeiro semáforo e vi uma pequena garota, de aproximadamente 9 anos, vendendo balas na chuva. Talvez um misto de dó e raiva. Muita raiva.
Dó de todas as pessoas que passam necessidades por todo o mundo e todos os dias. Muitas apenas sobrevivem por toda uma vida, com os restos de outros ou a outros servindo. Raiva desse sistema ultrapassado e de seus fiéis mantenedores. Os homens vivem ainda em condições animais, não aprenderam a viver em condições verdadeiramente humanas.
"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros." (Che Guevara)


